Identificando a composição de comprimidos de ecstasy

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11 de maio de 2015

Em 2012, a Folha divulgou um levantamento feito pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo em parceria com a Fapesp que revelou que menos de 50% dos comprimidos vendidos como ecstasy em São Paulo continham, de fato, MDMA. Nota-se uma dificuldade de encontrar MDMA nas balas de procedência desconhecida.

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Porcentagem dos comprimidos testados que continham apenas MDMA ao longo dos últimos anos (Fonte: Ecstasydata.org)

À medida que essa dificuldade foi crescendo, surgiram formas de identificar a composição dos comprimidos e contornar o perigo de tomar uma bala adulterada.

Reagentes

Tornou-se comum em outros países usar reagentes para testar a composição das amostras. Os testes servem não só para ecstasy, mas para a maioria das substâncias disponíveis no mercado negro, onde não existe controle da qualidade dos produtos. Os principais fabricantes são o EZ Test, DanceSafe e TestKitPlus.

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Reagentes EZ Test

Funciona da seguinte forma: é cortado um pequeno pedaço do comprimido e misturado ao reagente. Será desencadeada uma reação química, e o líquido do reagente – que inicialmente é transparente – mudará de cor. A partir da cor final (e do tempo que leva para a cor mudar), é possível saber qual substância está presente na amostra.

Infelizmente, no Brasil é difícil encontrar esses reagentes. Há relatos de usuários que tentaram importar do exterior e a encomenda foi barrada na alfândega.

Sites de identificação

A maioria dos comprimidos de ecstasy que se encontram por aí têm logos e desenhos estampados na sua superfície, assim como formas e cores diferentes. É possível usar tais parâmetros para separar as “balas boas” das “balas ruins”.

Para isso, existem diversos sites que disponibilizam listagens com fotos dos comprimidos e suas composições, baseadas em testes e relatos de usuários:

Pillreports.net

O Pill Reports é um banco de dados de comprimidos baseado tanto em relatos de usuários como em análises com reagentes. A listagem é dividida por regiões – África, Ásia, Austrália e Nova Zelândia, Europa, Oriente Médio, América do Norte e América do Sul.

Seção da América do Sul no Pill Reports

Qualquer usuário pode adicionar comprimidos ao banco de dados através dos seguintes parâmetros:

  • nome do comprimido
  • logo
  • cor
  • formato
  • altura, largura e peso
  • textura e bordas
  • região em que foi encontrado
  • se foi testado com reagentes
  • composição provável
  • avaliação (MDxx baixo-alto; adulterado; inativo; desconhecido)

Também é possível adicionar uma foto e um relato da experiência, caso o usuário já tenha tomado o comprimido. O site também permite comentários e avaliação do relatório por outros usuários.

Ecstasydata.org

Lançado em 2001, o EcstasyData.org tem um laboratório que analisa e divulga os resultados dos comprimidos testados. Além de fazer os próprios testes, também divulga os resultados de testes de outras organizações. É possível enviar amostras para eles analisarem, com o custo de US$ 40.

Home do EcstasyData.org

Os testes são feitos por espectrometria de massa, permitindo descobrir com precisão cada substância presente nos comprimidos.

SaferParty.ch

SaferParty.ch fornece avisos a respeito de comprimidos adulterados ou com quantidade alta de MDMA. A “checagem de drogas” é um dos 4 pilares da política de drogas suíça, e o serviço é oferecido pelo departamento social da cidade de Zurich, que analisa os comprimidos e divulga os resultados através do site.

saferparty

 

O site está em língua alemã, mas dá pra entender as informações principais.

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