Por que você deveria tomar menos MDMA e mais cuidado ao consumi-lo

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23 de setembro de 2016

MDMA (bala, ecstasy etc.) é relativamente seguro, mas seu uso pode envolver alguns fatores que podem ser problemáticos e que às vezes são ignorados:

Neurotoxicidade

Há uma grande controvérsia sobre a neurotoxicidade do MDMA, mas de acordo com diversos estudos, é evidente que algumas formas de consumo podem produzir mudanças a longo prazo no sistema serotoninérgico, assim como danos agudos ao cérebro que podem levar à perda de axônios das células nervosas. As consequências práticas disto são incertas, mas podem incluir depressão, deficiência cognitiva, psicose, ataques de pânico, e maior impulsividade.

Estes estudos mostram que a neurotoxicidade depende da dose, do regime de dosagem, da rota de administração, da temperatura corporal do indivíduo e do ambiente.

Dosagem e re-dosagem

Quanto maior a dose, maior a chance da neurotoxicidade ocorrer. O uso desenfreado de MDMA também carrega um maior risco de neurotoxicidade do que doses únicas. Quando administrada repetidamente, uma dose não-neurotóxica pode se tornar neurotóxica.

Regimes de múltiplas doses aparentam produzir mudanças serotoninérgicas mais profundas e mais permanentes. Depois de certo ponto, colocar mais MDMA pra dentro já não funcionará tão bem e causará mais efeitos adversos.

Provavelmente a forma mais comum de dosar MDMA puro, na forma de cristal, é olhando para a dose e avaliando o tamanho dela pelo que ela aparenta. O problema de fazer isso é que a densidade do cristal pode variar, ou seja, mesmo que você encontre uma dose boa e memorize o tamanho dela, dificilmente acertará sempre o peso dos cristais, que é o que importa. Dessa forma, pode acontecer de você tomar uma dose muito alta, que poderá ser neurotóxica e causar efeitos indesejados, como cãibras musculares; náusea; dores no peito; desmaios; alta temperatura corporal; alta pressão sanguínea; ataques de pânico; ataques cardíacos e até morte por overdose.

Caso esteja usando MDMA em cristal, o ideal é pesar as doses numa balança precisa (você pode encontrar as dosagens aqui). Dá pra encontrar balanças com precisão de 0.01g por menos de R$ 50 no eBay. Você e seus amigos podem se juntar e dividir o preço da balança. O ponto negativo em ter uma balança é poder ser confundido com quem vende drogas, o que certamente é algo que você não quer que aconteça. Uma possibilidade é deixar a balança na casa de um amigo “careta” que entenda a importância da redução de danos, e então pegá-la somente quando necessário.

No caso dos comprimidos, é importante pesquisar sobre a dosagem dele antes de tomar.

Procedência

Dependendo da forma como você adquire sua droga, existe uma chance razoável de o que você está tomando não seja MDMA, de fato. Muita coisa é vendida como MDMA, incluindo 2-CB, metilona, cafeína, mefedrona, metanfetamina etc. Então é importante procurar saber o quê isso aí que você tem realmente é.

O ideal é usar um reagente para testar sua amostra. No caso de comprimidos, é possível comparar a aparência deles com comprimidos que já foram testados por outras pessoas, conforme explicado neste artigo.

Tolerância

Usar MDMA com muita frequência também faz com que sua tolerância aumente a longo prazo, e você terá que consumir doses cada vez maiores para atingir o mesmo efeito. Aumentar a dose, além de aumentar o risco de overdose, também faz com que os efeitos adversos se tornem mais presentes, incluindo sua neurotoxicidade e depressão pós-experiência.

Se você gosta da experiência que o MDMA proporciona e gostaria de poder consumi-lo ao longo da sua vida, considere manter um intervalo considerável entre as ocasiões em que você usa. Há muitos casos de usuários em que a tolerância aumentou e nunca mais diminuiu, fazendo com que a substância pare de fazer tanto efeito. Mesmo tomando doses maiores, eles dizem não conseguir alcançar os efeitos que eram presentes nas primeiras vezes em que usaram. Depois que isso acontece, é possível que mesmo que você dê uma grande pausa, a tolerância continue a mesma.

O ideal é tomar uma vez a cada 3 meses. Se não conseguir de forma alguma esperar 3 meses, espere pelo menos 6 semanas.

Alimentação e suplementação

Tomar suplementos antes, durante e após a experiência ajudam a diminuir a neurotoxicidade e a depressão pós-fritação, além de proporcionar uma experiência mais suave e confortável. Magnésio, por exemplo, ajuda a diminuir espasmos musculares, incluindo aquela mordeção. Aqui e aqui você pode encontrar guias de de suplementação. Caso não queira tomar suplementos, procure se alimentar bem, comendo frutas, legumes, verduras e castanhas – antes e depois da experiência.

Resumindo

  • dê um intervalo de 3 meses entre uma experiência e outra, dando tempo para seu organismo se recuperar
  • tome uma única dose, ou no máximo duas
  • saiba a dose exata que está tomando
  • procure saber se o que você tem é realmente MDMA
  • use suplementos para tornar a experiência mais confortável e segura

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