A ibogaína é o principio ativo encontrado na raiz da Tabernanthe iboga e em outras plantas tipicamente africanas. É um psicodélico forte e de longa duração, tradicionalmente usado em rituais por povos nativos. Se tornou mais conhecida nas últimas décadas na Europa, Estados Unidos, e mais recentemente no Brasil, pelo seu uso para tratamento de dependências químicas.

Os primeiros relatos históricos do uso ritualístico da T. iboga na África datam desde o século 19, sendo que provavelmente ela já era usada previamente. Existem diversas igrejas-iboga contemporâneas – como a Bwiti – que a utilizam como sacramento e ferramenta de iniciação.

A ibogaína foi extraída pela primeira vez da T. iboga em 1901. Um extrato contendo ibogaína chamado Lambarene foi vendido como antidepressivo na França em meados de 1939. Durante os anos 60, a ibogaína foi brevemente estudada como adjunto à terapia psicodélica.

Em doses maiores, normalmente causa náusea e vômitos que podem ser seguidos de dormência na pele e alucinações auditivas e visuais por 3-4 horas. Isto normalmente é seguido por um intenso registro autobiográfico dos eventos e da significância da vida do indivíduo, durando de 8-20 horas. Efeitos fisiológicos – como dificuldade para dormir – podem persistir por um ou dois dias.

Duração

Oral
Duração total 24h+
Início 45min – 3h
Efeitos posteriores 24 – 48h

Quando ingerida em cerimônias religiosas, as doses são altamente variáveis.

No livro TiHKAL, doses típicas de ibogaína pura são classificadas como 1000mg ou mais, mas também há relatos de doses partindo de 200mg. No Manual for Ibogaine Therapy, a recomendação é 15-20mg/kg para tratamento de dependência a opiáceos.

A ibogaína pode causar extrema náusea. Dependendo da dose, o indivíduo pode ficar incapacitado e/ou imobilizado por várias horas. Doses altas (a partir de 75mg/kg) apresentam efeitos neurotóxicos em ratos e primatas.

Risco de morte

Há relatos de diversas mortes que resultaram diretamente da ingestão de ibogaína. Algumas mortes ocorreram em ambientes clínicos ou semi-clínicos.

  • Uma mulher de 40 anos morreu de parada cardíaca depois de tomar uma dose de 8mg/kg em uma sessão de psicoterapia.
  • Um homem de 38 anos morreu de trombose pulmonar durante um tratamento de dependência química com ibogaína numa clínica em Tijuana, no México.

O uso tradicional de ibogaína é reportado por africanos de ser ocasionalmente fatal, e existe pelo menos um caso documentado de morte após a ingestão da raiz da Iboga.

Contraindicações

  • indivíduos com histórico de complicações cardíacas, pressão alta, aneurisma ou AVC, glaucoma, doenças no fígado ou rins ou hipoglicemia podem estar sujeitos a riscos maiores;
  • alimentos contendo bergamota – como por exemplo suco de grapefruit – devem ser evitados, visto que são metabolizados pelas mesmas enzimas que metabolizam a ibogaína
  • não opere máquinas pesadas; não dirija;
  • pelos efeitos intensos, a Ibogaína não deve ser administrada sem alguém sóbrio como acompanhante;
  • indivíduos que estejam passando por alguma perturbação psicológica ou que tenham algum histórico de doenças psicológicas devem ter extrema cautela ao fazer uso da ibogaína ou qualquer outro psicodélico intenso

Potencial aditivo

A ibogaína não causa dependência física e nem é típica de provocar dependência psicológica. De fato, ela é usada para tratar dependências químicas de outras substâncias, como heroína, álcool e tabaco.

No Brasil, a ibogaína não consta na lista de substâncias controladas pela ANVISA no Brasil, portando não é proibida.