Ketamina é um dissociativo anestésico desenvolvido nos meados dos anos 60, usado principalmente na área veterinária para anestesiar cães e gatos. Apesar da ketamina não ser largamente usada em humanos na área médica porque induz estados psicodélicos nos pacientes, ela ainda tem algumas aplicações médicas limitadas porque tem a vantagem de não debilitar a circulação e a respiração.

Também é usada de forma recreativa e tem um potencial aditivo considerável, sendo comum casos de usuários que fazem uso diário.

Seus efeitos podem causar em doses baixas leve embriaguez; pensamentos oníricos; movimentos desajeitados ou robóticos; sensações atrasadas ou reduzidas; vertigem; sentimentos eróticos; sociabilização aumentada e um senso de enxergar o mundo de forma diferente; até, em doses mais altas, completa dissociação do mundo externo; entrada em realidades completamente diferentes; experiências de quase morte; visões hostis; blackouts etc.

Um efeito famoso da ketamina é o k-hole, em que o usuário é removido da realidade e imerso num mundo introspectivo e que lembra um sonho.

Positivos

  • sensações corporais e psicológicas agradáveis
  • aumento na energia corporal e mental
  • euforia
  • sensação de calmaria e serenidade
  • experiências espirituais enriquecedoras
  • senso aprimorado de conexão com seres, objetos e o mundo

Neutros

  • distorção ou perda de percepções sensoriais
  • visuais de olhos abertos e fechados
  • dissociação corpo-mente
  • analgesia
  • perda de coordenação motora
  • mudança significativa na percepção do tempo
  • aumento na frequência cardíaca
  • fala arrastada
  • confusão, desorientação
  • mudanças na percepção da realidade
  • k-hole; dissociação corpo-mente intensa e visuais realistas

Negativos

  • risco de dependência psicológica
  • desconforto nasal (quando inalada)
  • desconforto, dor ou analgesia no local em que foi injetado (quando injetado)
  • confusão severa, pensamento desorganizado
  • paranoia e egocentrismo
  • náusea, vômitos
  • distorção ou perda de percepção sensorial inoportuna ou assustadora
  • suscetibilidade a acidentes decorrentes da falta de coordenação e mudança na percepção corpórea e temporal
  • dissociação severa, despersonalização
  • perda de consciência, o que pode ser fatal em certas circunstâncias
  • diminuição da frequência cardíaca e respiração

Duração

Nasal
Duração total 45 – 60min
Início 5 – 15min
Primeiras sensações 10 – 30min
Pico 20 – 40min
Diminuição 30 – 60min
Efeitos posteriores 1 – 3h

 

Intramuscular
Duração total 30 – 60min
Início 1 – 5min
Primeiras sensações 5 – 20min
Pico 20 – 45min
Diminuição 20 – 60min
Efeitos posteriores 2 – 4h
Nasal
Mínima 0.04mg/kg
Leve 0.06mg/kg
Comum 0.13mg/kg
Alta 0.22 – 0.34mg/lb
Muito alta (K-hole) 0.45mg/kg

 

Oral
Mínima 0.13mg/kg
Leve 0.27mg/kg
Comum 0.34 – 0.9mg/kg
Alta 0.68 – 1.13mg/kg
Muito alta (K-hole) 1.36 – 1.81mg/kg

 

Intramuscular
Mínima 0.04mg/kg
Leve 0.07mg/kg
Comum 0.09mg/kg
Alta 0.22mg/kg
Muito alta (K-hole) 0.34mg/kg
Anestésica 0.45mg/kg

 

Intravenosa
Anestésica 0.45 – 2mg/kg

A ketamina bloqueia vias nervosas sem debilitar significativamente as funções circulatórias, e por isso age como um anestésico seguro e confiável. Usuários inexperientes podem se sobrecarregar com os efeitos em doses altas, apesar de medos e paranoias que possam surgir serem geralmente efêmeros.

Contraindicações

A ketamina não deve ser usada em combinação com depressores respiratórios, principalmente álcool, barbitúricos ou diazepam (Rivotril, Valium etc). Ketamina é usada sem interações negativas com cannabis, LSD, óxido nitroso, DXM e MDMA, apesar de combinações não serem recomendadas e geralmente desnecessárias, levando em conta a intensidade da experiência da ketamina. Afim de evitar problemas com náuseas e vômitos, não se deve consumir alimentos por pelo menos uma hora e meia antes da experiência, assim como evitar comer até que os efeitos comecem a diminuir.

Potencial aditivo

Usuários com uma fonte estável ou grande quantidade de ketamina encontram problemas com habituação. É recomendado estabelecer um limite para o uso antes de experimentar a substância para ter uma referência confiável e ter alguém de confiança para agir como um agente externo para julgar níveis de uso saudáveis. Apesar de raro, não é incomum usuários caírem em padrões de uso muito maiores do que o esperado. O uso diário pode causar problemas a longo prazo. Há casos de pessoas que usaram ketamina uma ou duas vezes por dia por seis meses e que sentiram ter causado danos permanentes, experenciando flashes e riscos na sua visão mesmo após um ano e meio após o uso.

Ketamina e bexiga¹

Em alguns casos, uso crônico de ketamina foram associados com sintomas no trato urinário que incluem aumento na frequência de urinar, incontinência urinária, dor durante micção, sangue na urina e redução do tamanho da bexiga. Em vários casos graves, intervenção cirúrgica para remover a bexiga foi considerado necessário por médicos. Os casos documentados indicam que respostas individuais à ketamina no que diz respeito a problemas na bexiga são específicas a cada indivíduo e imprevisíveis, tornando difícil saber qual nível e frequência de uso podem causar danos. Porém, uso frequente de ketamina é sempre desencorajado e todos os usuários devem aumentar seu consumo de água e prestar atenção até nos menores sintomas envolvendo o trato urinário.

Ketamina e respiração²

Apesar de parte da utilidade da ketamina como anestésico vir do fato dela debilitar a respiração bem menos que outros agentes anestésicos, ela pode causar algumas alterações na respiração, incluindo respiração mais profunda e lenta e intervalos no ritmo respiratório. Os perigos mais comuns relacionados com a respiração no uso da ketamina são usuários aspirando vômito ou sufocando pelo fato de estar tão sedados que as respostas do corpo são suprimidas.

Fatalidades²³⁴

Mortes causadas especificamente pela ketamina são raras mas existem casos. Normalmente quando ocorrem fatalidades outras substâncias estão envolvidas junto com a ketamina. Depressores como benzodiazepínicos, barbitúrios, GHB e álcool podem amplificar os efeitos debilitantes da ketamina na frequência cardio-respiratória., possivelmente fazendo as funções cardiovasculares diminuirem de ritmo de forma perigosa ou até pararem completamente.

Níveis anestésticos de ketamina num ambiente inseguro pode causar um acidente fatal, como afogamento ou asfixia. Usuários de ketamina que estiveram altamente inconscientes e começarem a ter asfixia ou problemas respiratórios devem ser colocados na “posição de recuperação”.

No Brasil, a ketamina é controlada sob lei veterinária e é ilegal para consumo humano. A lei não é exercida pelas autoridades com a mesma severidade que com outras drogas pelo uso ser bastante incomum no país.

Referências

  1. Hanna J. “Ketamine and Lower Urinary Tract Symptoms”. Erowid Extracts. Nov 2010;(19):12-4. Online edition: http://erowid.org/chemicals/ketamine/ketamine_article2.shtml
  2. Jones R, Kilbane FM, Kunsman GW, Levine B, Moore KA, Smith M. “Tissue distribution of ketamine in a mixed drug fatality”. Journal of Forensic Science. 1997;42(6):1183-1185.
  3. Lalonde BR, Wallage HR. “Case Report: Postmortem blood ketamine distribution in two fatalities”. Journal of Analytical Toxicology. 2004;28(1):71-74.
  4. Breitmeier D, Passie T, Mansouri F, Albrecht K, Kleemann WJ. “Autoerotic accident associated with self-applied ketamine”. International Journal of Legal Medicine. 2002;116(2):113-116.