A maconha é representada por um grupo de plantas do gênero Cannabis, que inclui as variantes C. indica e C. sativa. O uso desse vegetal data de 4.265 anos atrás e cada porção do mesmo é útil: folhas e caule (fibras para indústria têxtil), sementes (combustível e alimento) e seu ramo com várias flores ou inflorescências (uso médico e recreativo).

Nas últimas quatro décadas, a potência das amostras para consumo analisadas pelos cientistas tem apresentado aumento na concentração do composto ativo devido ao melhoramento genético da espécie.

Seus efeitos, quando fumada, duram poucas horas e tem média intensidade. Quando ingerida, podem durar várias horas e ser mais intensos. É capaz de causar, em quantidades menores, euforia, bem estar e relaxamento muscular. Em quantidades mais altas, pode distorcer a percepção do tempo, aguçar os sentidos e causar queda de pressão e paranoia.

Positivos

  • elevação no humor, euforia
  • aumento no senso de humor
  • relaxamento, redução de stress
  • pensamentos criativos, filosóficos, abstratos ou profundos; ideias fluem mais facilmente
  • aumento na apreciação, impacto emocional e conexão mais profunda com música
  • aumento na percepção sensorial
  • mudança na sensação de fadiga muscular
  • sensação corporal agradável
  • aumento na conexão entre corpo e mente
  • alívio de dores
  • diminuição de náusea
  • aumento na apreciação do sabor dos alimentos
  • tarefas tediosas ou entretenimento podem se tornar mais interessantes ou divertidos

Neutros

  • mudança geral na consciência
  • aumento no apetite
  • lentidão em realizar tarefas
  • alterações luminosas e efeitos visuais de olhos fechados
  • cansaço, sonolência, letargia
  • estimulação, dificuldade em dormir (incomum)
  • vermelhidão nos olhos (mais comuns com certas variedades de cannabis e usuários inexperientes)
  • dificuldade em seguir uma linha de pensamento
  • pensamentos fugazes
  • alteração na percepção do tempo

Negativos

  • sequidão das mucosas, incluindo boca, olhos e vagina
  • tosse, asma, problemas respiratórios
  • dificuldades com memória de curto prazo durante os efeitos e durante períodos de uso frequente
  • frequência cardíaca acelerada, agitação, tensidão
  • ansiedade
  • ataques de pânico em usuários sensíveis ou em doses muito altas (uso oral aumenta a chance de tomar uma dose alta)
  • dores de cabeça
  • tontura, confusão
  • desmaios (no caso de queda de pressão)
  • tensão facial, mandibular (incomum)
  • pensamentos paranóicos e angustiantes
  • possível dependência psicológica
  • perda de coordenação em doses altas
  • náusea, especialmente quando combinada com álcool, alguns remédios e outros psicoativos
  • pode precipitar ou exacerbar doenças mentais latentes ou já existentes

Duração

Pulmonar
Duração total 1 – 4h
Início 0 – 10min
Primeiras sensações 5 – 10min
Pico 15 – 30min
Diminuição 45 – 180min
Efeitos posteriores 2 – 24h
Ressaca 0 – 24h

 

Oral
Duração total 4 – 10h
Início 30 – 120min
Primeiras sensações 30 – 60min
Pico 2 – 5h
Diminuição 1 – 2h
Efeitos posteriores 6 – 12h
Ressaca 0 – 24h

A dosagem média varia de pessoa para pessoa de acordo com a sensibilidade de cada um e com a qualidade e teor de THC da amostra usada, tornando difícil quantificar aproximadamente o que seria uma dose fraca para uns e forte para outros.

Pulmonar
Leve 1/30g
Comum 2/30g
Alta 3/30g

O uso de Cannabis sp. é, geralmente, seguro. Nunca ocorreu uma morte direta por seu uso, mas sim por atitudes tomadas enquanto se estava sob o efeito da mesma, como em acidentes de trânsito. O fato de a maconha ser relativamente menos nociva para a saúde que drogas lícitas como álcool e tabaco leva muitas pessoas a acreditarem que ela é completamente inofensiva, porém vários estudos apontam efeitos nocivos principalmente aos usuários que fazem uso frequente e àqueles que iniciaram o uso na adolescência.

Uso medicinal

Atualmente tem se intensificado as pesquisas com os canabinoides (THC e canabidiol), comprovando diversos efeitos medicinais. Algumas possibilidades terapêuticas são:

  • contra náuseas em pacientes sob quimioterapia
  • contra anorexia e síndrome consumptiva relacionada a AIDS
  • Glaucoma (apesar dos tratamentos padrões serem mais efetivos)
  • dor neuropática crônica
  • candidata a tratamento de doenças inflamatórias como artrite reumatoide, doença de Chron, retocolite ulcerativa
  • esclerose múltipla
  • epilepsia (especialmente o canabidiol)

Potencial aditivo

Cerca de 9% daqueles que experimentam Cannabis se tornam dependentes, e este risco aumenta quando o início do uso se dá na adolescência e quando o uso é diário. O uso na adolescência altera os circuitos dopaminérgicos de recompensa, tornando o cérebro mais suscetível à dependência de outras drogas, porém este efeito não é exclusivo da maconha. Os sintomas de abstinência são leves mas existem; os mais comuns são insônia, irritabilidade, disforia, fissura e ansiedade.

Efeitos adversos a curto prazo

Diminui a memória e capacidade de retenção de informações. Provoca alteração do julgamento, o que pode levar a comportamentos sexuais de risco. A diminuição da coordenação motora pode levar a acidentes automobilísticos, sendo risco de acidente 2 vezes maior para quem acabou de fumar maconha (com o consumo de álcool o risco é 5 vezes maior). Se consumida em altas doses, pode ocasionar paranoia e surto psicóticos, que cessam após algum tempo. O aumento da concentração de THC nas amostras encontradas atualmente tem provocado aumento nesses eventos agudos e pode prejudicar a relevância de estudos antigos.

Efeitos adversos a longo prazo

A maconha pode prejudicar o desenvolvimento cerebral durante a adolescência. Estudos mostram redução de fibras nervosas em áreas relacionadas à memória e aprendizado. Há também associação entre uso de maconha na adolescência e declínio do QI e performance diminuída na escola, porém esta associação pode estar enviesada por fatores socio-econômicos. Foi também estabelecida relação entre consumo de cannabis e doenças psicóticas como esquizofrenia, porém não se sabe se o consumo aumenta a chance de desenvolver a doença ou se pessoas predispostas à esquizofrenia são também mais predispostas ao consumo pesado.

Danos respiratórios

São fracas as evidências que correlacionam o consumo de canabis ao câncer de pulmão. Porém, se fumada, a maconha pode provocar outras doenças pulmonares, como bronquite crônica e enfisema. Os danos na via respiratória podem ser anulados se a maconha for consumida por via oral ou vaporizada.

No Brasil, o THC é listado como uma substância controlada, sendo ilegal a produção, distribuição e possessão da maconha desde o início do século passado.

https://www.erowid.org/plants/cannabis/cannabis.shtml

Referências

  1. Degenhardt, Louisa, et al. “Toward a global view of alcohol, tobacco, cannabis, and cocaine use: findings from the WHO World Mental Health Surveys.” PLoS medicine 5.7 (2008): e141.
  2. Russo, Ethan B. “History of cannabis and its preparations in saga, science, and sobriquet.” Chemistry & Biodiversity 4.8 (2007): 1614-1648.
  3. http://www.pnas.org/content/110/11/4251.abstract
  4. http://www.nature.com/news/pot-smokers-might-not-turn-into-dopes-after-all-1.12207
  5. http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1402309